terça-feira, 29 de novembro de 2011

PISCINA DE NAVIO TEM FUNDO?

Essa dúvida existencial e profunda perseguiu minha tia Sarah, até o dia em que eu viajei de navio e informei a ela que tem fundo. Mas, de vez em quando, ela me pergunta se tem mesmo, se eu não a estou enganado.
Ela me pergunta se eu mergulhei para ver o fundo. Respondo que nem entrei, então ela responde que eu não posso ter certeza. Tia Sarah é Bótima!
O caso é que é gente demais para a piscina. Se não tivesse fundo, as pessoas ficariam pelo caminho. Sempre amei piscina, mas, depois que tenho a minha, adquiri certo nojo de piscinas públicas. E a do navio é mais do que pública. No dia em que ele não ancora, as pessoas passam praticamente o dia todo em volta dela.
Ali acontecem as atividades do grupo de animação. No Blue Dream, eles eram excelentes. Em determinados lugares, eu tenho vontade de afogar essa galera da animação. Eles não deixam a gente em paz, ficam insistindo com quem não quer participar. No Blue Dream eles eram simplesmente bons. A maior parte do pessoal participava das brincadeiras, sem eles ficarem insistindo no microfone, e até quem não entrava na farra se divertia apenas de olhar. Como eu e Sérgio não estávamos em turma, acabamos fazendo parte dos que só olhavam. Mas nos divertimos assim mesmo.
Um transatlântico continha vários mistérios para mim. Eu não podia imaginar como seria lá dentro. Em algumas horas, achava que me sentiria claustrofóbica, presa em um lugar de onde não poderia sair. Em outras, achava que me sentiria insegura, naquela coisa pequena no meio do marzão. Nem uma opção nem outra.
Parecia que eu estava em um shopping, e tinha meu quarto no shopping para descansar, tomar banho e trocar a roupa a qualquer momento que quisesse. Nada melhor. E curti o marzão o tempo todo - da piscina, da varanda e até da esteira na academia. Ê mundo velho sem porteira!!!!!
Minha cabine ficava no sétimo andar. Isso mesmo SÉTIMO. O lobby era no terceiro. A parte de lazer começava no décimo. Nem sei quantos elevadores. Mas eu e Sérgio preferíamos usar escada. Ele, para exercício. Eu, porque navio pequeno no meio do marzão e entrar no elevador era... forçar demais a barra!
Acredita que em uma semana com toda a comida deliciosa eu emagreci? Mas isso eu conto depois.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UMA COISA TÃO BOA NÃO PODE CHAMAR "CRUZEIRO"

É. Não concordo. Pode chamar passeio ou viagem de navio. Ou, talvez, Atlético. Mas essa palavra impronunciável, jamais.
Preciso explicar: sou atleticana. De família. Acho que vem no DNA. Desconfio que nossas células possam ser pretas e brancas. Em Belo Horizonte, a rivalidade entre os dois times é imensa. Chamamos os torcedores do time azul de Marias, e, mais recentemente, de Smurfetes. Eles também têm nomes para nós, mas não nos importamos. Em família, esse time se chama o inominável, que nem o inimigo do Harry Potter. Aquele cujo nome não pronunciamos.
Brincadeiras à parte, a pessoa que inventou esse modelo atual de viagem de navio tinha minha pessoa em mente. Tem tudo a ver comigo. Absolutamente tudo.
Eu e Sérgio fizemos uma viagem de sete dias. Saímos de Santos, fomos até Porto Seguro e voltamos a Santos, no Blue Dream. (Será que o azul do nome do navio tinha alguma coisa ver com o inominável? Impossível. Era bom demais!!!!!)
Pensa em mordomia. No porto, a gente entrega as malas. Sabe onde elas aparecem, por milagre? Isso mesmo: na nossa cabine! Enquanto isso, a gente passeia pelos lugares maravilhosos do navio. Cada ambiente mais lindo do que o outro. O sistema era all-inclusive, ou seja, absolutamente tudo que a gente consumia dentro do navia estava pago. E tinha um drinque chamado Feliz Viagem que era o ó do borogodó. De frutas, azul, fraquinho. Diliça das diliças. Eu,o Sérgio, dois livros, duas espreguiçadeiras à beira da piscina e a moça perguntando se eu queria outro Feliz Viagem. Quis vários.
A cabine tinha sofá e varanda. Era linda, em tons de azul e amarelo. O banheiro, pêssego. Toalhas felpudas, metais dourados. Tudo muito bonito, de bom gosto. Não era apertado como eu imaginava e tinha ouvido falar. Nossas roupas couberam no armário, as malas também. Eu não quis descer em nenhuma parada. Só desci em Porto Seguro, porque não conhecia, e em Búzios, já à tarde.
A cabine era arrumada duas vezes por dia. No restaurante, a mesma garçonete nos atendia toda noite, e sabia o tipo de comida de que cada pessoa gostava, o tipo de vinho e de sobremesa. Uma gênia!
Bem, tudo isso vem à tona porque na próxima sexta-feira, lá vamos nós rumo a mais um Atlético! E este será especial: grande parte da família, muitos amigos, em um Encontro de Casais. São 250 pessoas!!!!! Com  certeza vai ser muito gostoso. Estou ansiosa. Mordomia e gente animada, uma combinação que só pode dar certo, muito certo!
Biblioteca. Nem ia achar ruim ter uma assim aqui em casa.

Lobby

O comandante gostou mais do Sérgio do que de mim!!!!!!!!!

Lojinhas inviáveis: tudo custa seis milhões de dólares!!!!!! Mas é bom olhar.

Nossa garçonete

"Lan-house". Todo dia, e-mails básicos para os filhinhos.

Não falei? Sofá e varanda.



Nossos companheiros de jantar, todas as noites o mesmo casal. Batemos bons papos.

Em uma das noites, o Buffet Magnífico. Todas as comidas são assim: esculturas!

Sem fome nenhuma, mas TINHA que comer no Buffet Magnífico. KKK

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BARRA VELHA INESQUECÍVEL

Foram muitas. Todos os anos. Janeiro. Uma passadinha em Curitiba, dois ou três dias, depois um monte de dias de férias em Barra Velha (Santa Catarina).
Conjunto Albina, era o nome do prédio. Até o nome era bom: o da tia Minó e da avó do papai. Nada com o nome da tia Minó pode ser menos do que maravilhoso.
O prédio tinha dois andares, 10 apartamentos. Sala compridona, junto com a cozinha. Um quarto grande, arejado, com uma camona gostosa. Varanda na sala e no quarto. O outro quarto era mínimo, sem ventilação: uma cama de casal e uma beliche. Um banheiro razoável. Nos fundos, área de serviço.
Poderia pegar minhas fotos e contar quantas férias passamos lá, mas não tenho tempo agora. Começou quando Serginho tinha 2 meses (isso mesmo - DOIS meses) e foi até ele ter uns 16 ou 17 anos.
Da varanda, a gente via o mar. Em noite de lua cheia, vovó, invariavelmente, ia até lá e gritava para nós:
- Gente, olha que beleza o marrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!
Aí, a gente descia com ela e ia até o banquinho que ficava perto da praia. Conversávamos até cansar e voltávamos para nosso ninho.
No início, eu e Sérgio não podíamos pagar nosso próprio apartamento, então ficava todo mundo em um só: papai, mamãe, vovó, Cristina, Clarice, Henrique, alguma namorada do Henrique, eu, Sérgio, Serginho. Nos fins de semana, tia Celina e Ildefonso. Aliás, a tarde de sexta-feira era dedicada a esperar a chegada deles. Depois, Flávia e Daniela também (estrearam aos quatro meses).  Era uma festa. Além disso, nossos amigos e parentes tinham toda a liberdade de chegar e ficar o tempo que quisesse. Uma vez, o Waldo dormiu na varanda, porque não tinha lugar para pôr mais colchão dentro da "mansão".
Nós passeávamos o tempo todo. De manhã, praia. Depois, mamãe fazia o almoço. O resto do serviço era por escala, muito bem planejada e colada na porta da geladeira amarela. Dois para arrumarem a cozinha, um para limpar a casa e outro para lavar o banheiro. Acabado o serviço, uma sonequinha e... pé na estrada. Blumenau, Camboriú, Piçarras, São Francisco do Sul, Pomerode, Jaraguá do Sul, Brusque, nada escapava à nossa fúria turística. Bastava ter uma feira e lá íamos nós.
Os carros ainda não tinham ar condicionado, a BR 101 ainda não era duplicada. Mas nós éramos animados o suficiente para sair de Barra Velha e viajar 40km até Itajaí para tomar sorvete no abacaxi ou comer pizza. Vovó e os bebês junto. Lembro de uma vez em que já era mais de 1 da manhã e Flávia e Daniela, com 2 anos, estavam animadíssimas junto com a vovó, que já estava perto dos 90, comendo pizza em Itajaí.
A BR era tão movimentada, eu morria de medo das viagens, mas enfrentava pelo prazer dos passeios. Vovó comentava:
- Não entendo por que os que estavam lá têm que vir para cá e os que estão aqui têm que ir para lá. Por que a gente não fica cada um no seu lugar?
Brincadeira, claro, porque ela sempre foi uma das primeiras a pular no carro quando o negócio era explorar o estado de Santa Catarina.
Descobrimos preciosidades, principalmente gastronômicas: pizza na pedra em Itajaí, Alírio (frutos do mar na praia de Penha), o café colonial do Hotel Glória em Blumenau, a Macarronada Italiana em Camboriú, o eisbein do Froshin em Blumenau, rodízio de camarão em Floripa (no tempo em que ninguém conhecia isso). Também comprávamos malha, telas para bordar em Blumenau, enfeites de casa nas lojinhas à beira da estrada.
Houve aventuras divertidíssimas. Papai gostava de pescar (bem, pelo menos de pegar a vara e ir jogar no mar). Certo verão, ele pegou uns peixes e acabou famoso na metrópole toda! Teve o verão em que o filho do comandante (vizinho) resolveu fazer ginástica olímpica no quintal. As meninas cansaram de assistir, mas o máximo que ele fez foi colocar pozinho branco na mão. O dia em que o cachorro invadiu o condomínio e o proprietário brigou feio com o dono do dito animal.
Os salva-vidas eram um caso à parte. A gente tinha apelido para todos. Muito politicamente incorretos. Um que tinha um defeito na coluna era o Tortinho. Salvou o Joel de um afogamento com água na altura do joelho. Um dia, Tortinho se machucou. Papai levou para o hospital e, daí em diante, como ficou amigo dele, passou a chamá-lo de Torto, com muito respeito. Tinha o Ted - Terror das empregadas domésticas - porque era bonitinho e fazia sucesso.
Certa vez os homens foram pescar. Não só os da nossa família, vários dos hóspedes. As mulheres passaram o dia pensando nos peixes que teriam que limpar. Chegaram buzinando, fazendo o maior estardalhaço. Todo mundo correu para ver o que eles tinham trazido. Fizeram o maior alarde, abriram o porta-malas cheio de... limão. Nem um peixe sequer.
No primeiro ano em que pudemos alugar nosso próprio apartamento e fomos promovidos para o quarto da frente, eu e Sérgio nem acreditávamos de tanta alegria. Aí foi bom, porque mais gente podia aparecer.
Barra Velha tinha muito pouco a oferecer naquele tempo. Tinha o Tabuleiro, uma loja boa, aonde a gente ia todos os dias em que não pegava estrada. Vovó amava. Acho que nunca comprei nada lá, mas visitei infinitas vezes. Tinha o caldo de cana no centro. Outra paixão da vovó.
E os vendedores que apareciam na porta do apartamento, com aquelas comidas boas dos alemães e frutas deliciosas. A gente comprava de tudo. Não esqueço de um dia em que eu, Sérgio e Cristina comemos uma melancia inteira ao voltar da praia.
Tinha a bocha na casa do dono do condomínio, seu Vitor. Papai e Sérgio frequentavam assiduamente. Henrique não tinha a menor paciência. As crianças jogavam bete na rua, havia um lugar para jogar vôlei.
O mar era dos mais bravos que já vi. Não sei como a gente tinha coragem, mas entrava e ficava lá um tempão. O único que quase se afogou foi o Joel. Mamãe, que tinha medo, preferia passar as pedras que havia no final da praia e ir ao "centro", como chamávamos, onde era mais calmo. Ela, tia Celina e Ildefonso passaram o maior sufoco no mar calmo, quase se afogaram. Preferiram continuar no nosso doidão mesmo.
Nessas pedras ficava o cantinho da bisa. Vovó caminhava até lá e sentava nas pedras para sentir o mar batendo. Um de meus maiores prazeres, até hoje, foram aqueles momentos em que fiquei ali absorvendo a sabedoria dela. Que saudade imensa!
Um caso gastronômico à parte era o Paulo Lanches. Há cerca de três ou quatro anos passamos por lá, e ainda existia. Caso você vá a Barra Velha, não deixe de comer um X-Tudo no Paulo Lanches. Confesso que nunca comi. Não dá nem para morder aquilo, de tanta coisa que o Paulo coloca lá dentro. A lanchonete ficava bem na nossa esquina, e Serginho contribuiu muito para a prosperidade do Paulo.
As férias em Barra Velha eram simples, com passeios sem guias, nada de pacotes. Em setembro, seu Vítor começava a ligar para saber quando iríamos. Nossas coisas ficavam guardadas lá: filtro, material de pesca do papai, cadeiras e barracas de praia, até brinquedos das crianças. A gente pegava o carro, passava uns dias em Curitiba e o resto das férias em nossa segunda casa.
Esse tempo nos uniu, nos construiu, nos ensinou a nos divertirmos conosco mesmo, entre nós. Todos os outros eram bem-vindos também, mas o centro era o nosso núcleo familiar.
Hoje eu não gosto mais de ficar em casa alugada. Prefiro hotel, muito mais fácil. Gosto do conforto de ir de avião, aprecio praias melhores, conheço lugares com muito mais, digamos assim, glamour, do que Barra Velha. No entanto, quando penso nas melhores férias de minha vida, sempre me lembro daquele quartinho abafado em que nos espremíamos. É, quanta saudade!!!!! Na verdade, o ser humano precisa de muito pouco para ser feliz, o problema é que acabamos complicando a vida.
Viva Barra Velha!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

8.9 - O PRIMEIRO A GENTE NÃO ESQUECE

Foram dois primeiros que não vou esquecer: primeiro aniversário de casamento longe do Sérgio (esse não foi bom) e o primeiro US Open.
É. Vi na quadra Nadal, Serena e Djokovic. É mole ou quer mais?
Preciso confessar que Flushing Meadows, o complexo onde acontece o torneio, deixa muito a desejar, em termos de charme, quando comparado a Roland Garros. O da França, porém, eu só visitei, sem qualquer jogo. E tem o fato, que pesa muito, de Guga ter vencido três vezes e a gente encontrar fotos dele por toda parte. Além disso, RG tem a elegância francesa, a loja tem artigos finos, os restaurantes são da melhor qualidade. Nos EUA, tudo bem americano: camiseta, boné, cachorro quente, pizza e picolé.
De toda forma, minha estreia nas arquibancadas ocorreu no US Open. E eu amei. Por causa das chuvas dos dias anteriores, houve uma concentração de jogos de primeira linha no dia em que eu e a Flávia fomos.
O caminho para chegar ao complexo foi uma experiência especial também.
Quando a gente vai a NY, acaba se restringindo a Manhattan e o bendito outlet que fica a não sei quantos mil quilômetros de lá, aonde nunca fui, nem sei se pretendo ir algum dia.
Uma vez, quando eu e Sérgio fomos com Daso e Bette a NY, pegamos a balsa para Staten Island. Achei bem legal ver como as pessoas moram foram da ilha, foi um passeio bem interessante. Fomos também um pouco além, até o Brooklyn, mas só para ir à igreja e logo voltamos, não deu para ver muita coisa.
Flushing Meadows me deu uma oportunidade única. Pegamos o metrô na Grand Central. Há um nível para várias linhas e a nossa, a 7, fica um nível abaixo das outras. Isso não me agradou nada. Não nasci para ser tatu. Em todo caso, tudo pelo Djoko e cia. A certa altura, notei que fazia muito tempo que não parávamos em qualquer estação. Comentei com a Flá e ouvi a resposta:
- O que você nem imagina é que estamos embaixo do rio!
Ai, como sofro! Já tinha ouvido essa mesma resposta dada pela Cristina, 20 anos antes, sob o mesmo rio, só que de carro. E o rio é largo. Quase um Amazonas! Antes que eu parasse por completo de respirar, chegamos a uma estação. Pensa numa pessoa aliviada.
Na outra margem, porém, uma boa surpresa me esperava: o metrô é de superfície. E eu fui observando aquela parte de NY que poucos turistas visitam (apesar de ser turista de carteirinha, gosto demais de ir a lugares aonde pouca gente vai). Valeu a pena ficar sem ar embaixo do rio.
Sendo grande apreciadora de filmes, parecia que estava assistindo cenas que se passam em ruas muito parecidas com aquelas, de casas simples, na maior parte brancas, muros pixados, quadras de basquete decadentes, mercados e lojas de aparência duvidosa. Me lembrei, especialmente, de um filme com a Queen Latiffa, As Férias da Minha Vida. Não sei se ela morava naquele bairro, mas era muito semelhante.
É bom ver o lado sem glamour da cidade. Melhor ainda se é de passagem, e a gente está indo rumo ao US Open.
Ah, no mesmo parque, fica o estádio do Mets. Canso de ver nos filmes a pergunta:
- Are you a Mets' fan? (Você é fã do Mets?)
Agora já sei onde eles moram. Imenso o estádio. Aposto que o Mets tem muitos fãs.
Quanto aos jogos, todos que precisavam ganhar, ganharam: Nadal, Serena e Djoko. Depois de enjoar de ver tênis, eu e Flá fomos comer pizza na Sbarro na Times Square. Alguém quer um pedaço?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

7.9 - MÁQUINA DO TEMPO

Nem todo o dia foi uma máquina do tempo, só o final. Mas ele começou com a aquisição de duas máquinas de marcar o tempo. Uma para mim (que resolvi dar para a Dani caso ela queira) e outra para o Sérgio.
Não começou com a compra, na verdade. Começou com o almoço. Saí do hotel às 11:30 e, como ontem só fui almoçar lá pelas 3 da tarde, resolvi comer direito. Uma das coisas de que gosto em NY é o monte de restaurantes com comida natural e gostosa. Self-service, a quilo (não, a pounds). Na esquina do hotel tem dois. Eu gostei mais do PAX. Comi cogumelo gigante, arroz integral com amêndoas, passas, feijão verde (verde mesmo, não como o nosso) e outras coisitas mais, camarão, aspargo, vagem. Tudo muito gostoso. Depois, de barriguinha bem cheinha, parti para a ação.
Nosso hotel fica muito bem localizado, bem no local onde a Broadway corta a 6a. Avenida (Av. das Américas). Essa "encruzilhada" meio torta (a Broadway é a única rua diagonal em Manhattan), cria uma  praça, cheia de mesinhas e cadeiras. Mais um local interessante para se relaxar no meio da imensa metrópole. Não foi bem isso que eu fiz, porém. Em volta da praça há lojas como Macy's, Victoria's Secret (ai, ai), Sunglass Hut e outras mais. Nem sei quanto tempo passei dentro da Macy's. Comprei os produtos da Mac que queria e andei de um lado para o outro, a meu bel-prazer. Fui à VS (mas só porque mamãe tinha me encomendado dois batons. Não sei porque raios saí de lá com um monte de coisas.). E entrei em muitas outras lojas por ali.
Mas, no final do dia, eu tinha um encontro com o passado: assistir Mary Poppins na Broadway. Flávia e Daniela eram simplesmente apaixonadas pelo filme. Quando eram pequenas, em um final de semana a gente alugava Dumbo, que elas viam, rebobinavam e viam de novo inúmeras vezes. Na sexta-feira seguinte o processo se repetia com Mary Poppins.
Evidente que o show foi lindo. Ela voou e tudo. O Bert subiu pela parede. Ela tirou da bolsa o porta-casacos, o espelho, a planta e tudo mais. Cantaram "Just a Spoon Full of Sugar", "Supercalifragilisticexpialidoucious" (sei lá se é assim que escreve, mas não importa).
Assistir esse show me fez lembrar de tantas coisas boas que temos vivido! Quantos presentes Deus tem nos dado durante todos esses anos! Quantas lutas, quantas dificuldades superadas!
Temos sido muito felizes, a despeito de qualquer circunstância. Minha máquina do tempo não me faz querer voltar para aquele tempo, ela me faz apreciar o que aconteceu de lá até agora, ser grata, e pensar:
"O que será de bom que espera por mim no futuro?". Com certeza haverá tristezas, mas, também, com certeza, muitas e muitas coisas MUITO boas.
Taí, gostei da máquina do tempo.
Para fechar o dia com chave de ouro, jantar no Olive Garden. Pena que meus pais não foram...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

06.09 - CHUVA E MAIS CHUVA

Hoje, o grupo tinha um programa que não me atraía, e resolvi não ir. Isso significa ficar por conta própria na Big Apple! Coisa importante para uma pessoa que se perde dentro da Fnac!
Pensei em ir ao Ground Zero. É comovente, está completando 10 anos. Em minha mente, várias pessoas, a começar pelo Sérgio, recomendaram:
- Que Ground Zero que nada! Vai fazer alguma coisa alegre!
Decidi seguir o sábio conselho imaginado por mim, que tenho certeza de que ouviria.
Desde que saí de Brasília eu queria fazer uma compra específica aqui: uma pulseira Pandora. Até bem pouco tempo atrás, eu não conhecia a Pandora. Achei o máximo o conceito. A gente compra a pulseira, e depois vai comprando coisinhas (os Charms) para colocar nela, lembretes de momentos especiais. Queria comprar em Brasília, mas não estava em um momento muito alegre, e queria que a compra me fizesse lembrar de uma situação bem feliz e gostosa. Então, decidi que deixaria para comprar nesta viagem. E comprei. Comecei a minha com 3 Charms: um coração, um C e um S!
Ih, coloquei o carro na frente dos bois, e já revelei que acabei comprando a Pandora. Mas voltemos ao começo. Nem vi a hora em que a Flávia saiu de manhã, coitada. Apesar de também não estar com vontade de fazer o tal programa, ela é guia, né? Não tem opção. Lá foi ela. Dormi até 10 horas, me levantei e ia colocar um vestido de alcinha com uma sapatilha para ir a dois lugares: primeiro a uma joalheria que achei na internet e que vende a Pandora e depois ao International Center of Photography. Felizmente tive a sábia ideia de olhar pela janela. Chovendo. Ai, que tragédia! Todo mundo de casaco e guarda-chuva. Mas nada me deteria em minha busca pela pulseira! Vesti uma calça jeans, calcei um sapato fechadinho, camiseta, casaco, e... pé na estrada. Bem perto do hotel achei um lugar para comer o bagel meu de cada dia. Melhor do que o de ontem, sentei em uma mesinha, tomei capuccino. Liguei para o Sérgio. Isso mesmo: tudo em ritmo bem lento, como gosto.
Saí do restaurante e a chuva continuava. Precisei comprar um guarda-chuva. Nada, porém, me afastaria de meu intento de comprar minha pulseira. Era minha missão de hoje. Segui pela 6a. Avenida, me molhando cada vez mais. Afinal, o Centro de Fotografia ficava mais perto do que a joalheria, então, entrei lá. Mesmo porque a chuva tinha piorado muito. Minha calça estava molhada até o joelho. E eu feliz da vida. Afinal, chegar ao primeiro destino sem me perder era uma vitória danada de boa! As exposições de fotografia estão interditadas, só voltam a abrir no dia 9, mas a lojinha estava aberta. E comprei um apontador de lápis de mesa que é igual à primeira máquina fotográfica que tive, ainda do tipo caixote! Senti saudade do tempo em que a usei, no 2o. grau, curso profissionalizante de fotografia. Esperei a chuva diminuir um pouco e prossegui pela 6a. Avenida. Eu tinha que encontrar a tal loja.
O problema é que a chuva diminuiu um pouquinho e depois resolveu desabar em cima de mim. Faz mal não, porque achei a loja e comprei a sonhada Pandora!
De lá, resolvi seguir para o Museu Metropolitan. Fica no Central Park, e lá fui eu. Parecia que a cada passo que eu dava a chuva aumentava mais. Demorei, mas cheguei. Desde que saí do hotel de manhã, andei da rua 35 à 80!!!!!!! Na chuva! E amei cada momento. Afinal, com essas caminhadas devagar pela rua, olhando os prédios e lojas com calma, entrando só onde eu quero, sem correr atrás dos que querem fazer um monte de compras, estou aprendendo a gostar muito de New York! Que bom!
Cheguei tão ensopada ao Met (é assim que os novaiorquinos falam, viu?) que fui direto à loja para ver se vendem calças. Só camisetas. Ai, como sofro!
Fui para o banheiro, tinha fila. De repente, ouvi uma voz conhecida. Olhei para trás, Renata e Lourdes na fila, uma pessoa atrás de mim. É verdade verdadeira: a gente não pode fazer nada errado, porque sempre alguém conhecido pode estar bem pertinho! O museu lotado daquele jeito, e a gente se encontrar na fila do banheiro! Elas também estavam molhadas. Fizemos o possível para nos enxugar e fomos lanchar. Já eram 3 da tarde, e eu estava apenas com o bagel da manhã! Há uma cafeteria no andar de baixo do Met, e comi uma massa bem gostosa, com uma garrafinha de vinho. Foi bom para me aquecer um pouco.
Andamos despreocupadamente pelo museu, vendo aquelas coisas lindas. Uma passagem pelo Egito, já que aquele ambiente que aparece no filme Maid in Manhattan é um dos lugares mais belos e a Lourdes não conhecia. Mesmo se ela não estivesse comigo eu teria ido lá, porque acho muito bonita aquela estrutura enorme de metal e vidro.
Depois, queríamos ver os impressionistas, e fomos para lá. Nem olhamos mapa. Andar pelo museu sem prestar muita atenção ao roteiro foi uma novidade para mim, e achei muito gostoso. Encontramos os Monets, van Goghs, Gauguins e cia, nos esbaldamos com esculturas gregas e, enfim, estava na hora de voltar para a chuva.
Decidimos pegar um táxi, mas, em dia de chuva, você precisa de outra solução em NY. Os táxis passam todos cheios. De repente, apareceu a fada madrinha, que fez um ratinho virar um motoristão, e transformou uma abóbora em uma limusine!!!!!!! O cara parou, perguntou para onde queríamos ir, disse o preço e se ofereceu para nos trazer. Pulamos para dentro e aprontamos uma confusão da melhor qualidade. Nenhuma das três nunca havia andado de limusine. Tiramos mil fotos, deitamos nos bancos, trocamos de lugar nem sei quantas vezes (bendito engarrafamento de trânsito provocado pela chuva!!!). Curtimos que nem criança. Falei para o ratinho transformado em motoristão que estávamos nos sentindo como Cinderelas. Ele não sabia quem era Cinderela. Tadão!
Afinal, a fada madrinha arranjou para a carruagem continuar carruagem mais um pouco e levar a Lourdes com a filha dela para o teatro.
Quanto a mim, cheguei a meu maravilhoso castelo, enchi a banheira de água quente e tomei um maravilhoso banho de espuma!!!!!!!
E tem gente que acha que chuva pode estragar a viagem. Não entendo isso!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

05.09 - NEW YORK

Eu e Flá resolvemos fazer nosso próprio programa hoje. Algumas do grupo foram pegar aquele ônibus vermelhinho que vai a todas as atrações, outras queriam um ritmo muito mais frenético do que nós buscamos nessa viagem. Flá não aguenta mais o tour no ônibus, porque toda vez que traz um grupo ela tem que levar. Já avisou que nem morta sobe ao Top of the World, não vai ao Battery Park e tem mais um lugar aonde ela se recusa a ir, mas esqueci qual é. Também não estou a fim desse tipo de passeio, então, lá fomos nós, livres e soltas, a fazer o que bem entendêssemos.
Claro que não saí cedo!!!!! Ponto essencial, para mim, quando se trata de relaxar. Descemos depois do horário do café da manhã e paramos logo em uma lojinha, como tem milhões em Manhattan, que vendem jornal, revista, aqueles pães cheios de açúcar por cima, um monte de chocolate, umas comidas, e mais não sei o quê, tudo espremido. A gente mal enxerga o vendedor. Como Deus sempre é bom para mim, existe bagel com cream-cheese. Porque eu não gosto nem um pouco daqueles pães cheios de açúcar. Pelo menos de manhã. Na verdade, só gosto mesmo é do Cinnabon, mas só de tarde. Então lá fomos nós, eu felizinha da vida, espero que ela também. Comi meu bagel, e fomos para a 5a. Avenida. Nosso destino, Central Park. Mas não tínhamos pressa nenhuma de chegar lá.
Um dos prazeres que eu tenho nas viagens é ver as lojas nas quais não compro. AQUELAS. Interessante. Eu acho o máximo olhar aquelas vitrines. Tanta coisa linda. Fico "de cara" com os tecidos maravilhosos que usam para fazer as roupas que nunca vou comprar. Isso não me dá a mínima tristeza. Acho lindo, admiro, e amo comprar minhas roupas na J. C. Penny. Assim, fomos seguindo pela avenida maravilhosa, conversando, bem devagar, do jeito que a gente gosta. Até que avistei um oásis!
Lá eu TINHA que entrar e comprar alguma coisa. Apaixonada por livros como sou, enxergar uma Barnes & Noble (uma das maiores redes de livrarias do mundo) é como ver um oásis. Nem sei quanto tempo passamos lá dentro. Ela para um lado, eu para o outro. Bendito Nextel!
Comprei uma coisa linda: um diário que dura cinco anos. Tem uma página para cada dia do ano, com cinco divisões. Você anota o número do ano na primeira parte, escreve uma ou duas frases sobre seu dia. Faz isso todos os dias. À medida que os anos forem passando, faz o mesmo nas outras divisões. Até que, ao fim, tem registrada sua "evolução" durante os cinco anos. Achei uma "diliça". Mais outras comprinhas, e voltamos para a rua.
Tem uma coisa que não entendo. A Hollister. Um calor danado, e uma fila enorme na porta, gente esperando para entrar e comprar camiseta. Sei que tem outros artigos, e que está na moda, mas acho o cúmulo ficar na fila para uma loja dessas. Gostaria de ler algum estudo sobre o tema, porque, para mim, o crime não compensa, ou seja, os artigos não são essa maravilha toda para causar tanta comoção. Enfim...
Levamos muito tempo para chegar ao Central Park, e andamos por lá, bem despreocupadas. Hoje é feriado aqui. Dia do Trabalho. Então, o parque estava cheio. Mas não repleto. Gostoso. Fomos ao zoológico que até hoje eu não conhecia e a Flá, bondosamente, suportou mais uma vez. Depois, comemos cachorro quente sentadas em um bando de frente para umas quadras de vôlei de areia. Enquanto os jogos corriam soltos, com boladas fortes, uma velhinha se exercitava caminhando na areia nas laterais das quadras. Cena insólita. Ela andava de lado, magrinha, fraquinha, e aqueles caras enormes jogando a bola de um lado para o outro na maior força. Se ela fosse atingida, adeus velhinha.
Eu e Flá comentamos sobre um aspecto muito interessante da vida em NY, de que o Central Park talvez seja a maior manifestação: o cruzamento entre vida de cidade grande, cheia de tudo que se pode pensar em termos de tecnologia e desenvolvimento, combinado a certos aspectos de vida tranquila e sossegada. As pessoas sentadas nas escadas dos museus e bibliotecas também mostram isso. Na frente da Biblioteca Pública, há uma área grande, cheia de árvores, com mesas e cadeiras. Não é restaurante, é um lugar para as pessoas sentarem, conversarem, lerem um bom livro, só isso. Há várias praças e lugares como esse espalhados no meio dos arranha-céus imensos. Muito interessante o contraste.
Depois fomos ao MoMA. Eu me divirto muito com arte moderna. Há um andar com Monet, Picasso, van Gogh e outros famosos e mais antigos que, devo confessar, fazem mais meu estilo. Mas a arte moderna é muito mais divertida. Tinha, por exemplo, um cubão de feno. Daqueles que a gente vê os fazendeiros fazendo nos filmes. Eu amei um carrinho de mercado com as sacolas todas amarradas do lado de fora. E saí de uma instalação rindo a valer, dizendo para a Flá que acabara de ter a maior experiência tranformadora da minha vida: um caminho cheio de curvas, formado por pano branco pendurado no teto e indo até o chão.
Acho que sou crítica demais para conseguir levar a sério essas obras modernas. Uma sala, porém, mexeu muito comigo. Uma parede vermelha e azul, enorme, pintada de cima a baixo com a palavra AIDS. E as obras da sala toda apontavam para o mesmo tema. Coisas pesadas, densas, que me atingiram. Principalmente um quadro em que o artista (ou a, não sei), pintou, sobrepostas, situações que possibilitam a transmissão da AIDS. Não consigo encontrar uma única palavra em português para descrever o que senti. Coloco uma em inglês, pedindo desculpas aos que não falam a língua: "sobering". No entanto, gosto mais da parte divertida.
Saímos do museu exaustas. Mas continuamos andando. Estava bom. Com fome, fomos até a Times Square à procura de uma Sbarro. Eu AMO a pizza de espinafre com champignon de lá. Já falei que não sou chique? Barriguinha cheia, uma passada básica na Walgreens, para comprar pomada para passar no calcanhar que JÁ está doendo à beça e... hotel.
Tenho certeza absoluta, por tudo que conheço de turismo, que nosso programa JAMAIS faria parte de uma excursão. Sei, também, que não agradaria a maior parte das pessoas. Mas sei que o Sérgio e a Dani iam amar também. Serginho, não tanto, mas nos acompanharia, com certeza. Meus pais também gostariam muito. Para mim, foi um dia perfeito. O melhor que já tive aqui em NY. Vamos ver amanhã... Pretendo sair sozinha de manhã.

sábado, 3 de setembro de 2011

PORTA GIRATÓRIA

Para mim, uma das características mais marcantes de New York são as portas giratórias.
São lindas. Nos prédios de estilo mais clássico, eles põem as molduras de madeira com metal dourado. Fica muito lindo.
Desde a primeira vez em que estive lá as tais portas me chamaram a atenção. Não entendia porque quase todo lugar tinha aqueles trambolhos em vez de uma simples porta. Depois, aprendi que elas, antigamente, serviam para manter o interior dos prédios aquecidos, já que as portas comuns, ao serem abertas, deixam entrar lufadas de vento gelado e as giratórias não deixam.
Muito espertos, os novaiorquinos. O problema é que eu não sou esperta.
Assim como ontem, sem qualquer modéstia, falei que sou ótima para arrumar mala, hoje, sem qualquer sentimento de inferioridade, declaro que careço imensamente de agilidade e coordenação motora.
Diante disso, MORRO DE MEDO DE PORTA GIRATÓRIA!!!!!!!!!
Só entro se não tiver ninguém saindo ao mesmo tempo. Também não pode ter ninguém entrando junto comigo. Isso porque a outra pessoa pode acelerar o passo, ou diminuir, e eu ter problemas para acompanhar a alteração no ritmo.
E tem umas que giram o tempo todo, com um motorzinho. Essas são um pavor, porque não posso segurar, parar a danadinha para eu entrar e sair.
Naquela primeira viagem a NY, quando travei conhecimento mais chegado com as que giram, passei um vexame enorme. Na Tiffany's!!!!!!!! Na Quinta Avenida!!!!!!!! Ai, como sofro!
Fui enfrentar minha inimiga que roda. Até que comecei bem. Não sei o que aconteceu entre nós no curto espaço de tempo em que tivemos contato, mas a verdade, estabelecida e reconhecida, é que tropecei e entrei numa das lojas mais chiques do mundo catando cavaco, que nem um elefante desembestado, e quase enfiei a cabeça em um daqueles mostruários do vidro mais transparente que existe no mundo. Pensando bem, eu devia ter enfiado a cabeça, me cortado. Uns pontinhos, mas garanto que eles me dariam um pequeno prêmio de consolação. Ai, como sofro!
Bem, amanhã, se Deus permitir, reencontro minhas inimigas. Mas, num lapso de esperteza, depois de muitas provações nas giratórias, descobri que praticamente todas têm ao lado uma porta comum, e que a gente pode entrar por elas. Elegante como uma dama! Sem qualquer ansiedade ou sofrimento. Eu já disse que careço de agilidade? Mental também. Levei cerca de 20 anos para descobrir a porta comum. Ficava tão apavorada olhando para a outra que não me dava conta de que tinha a boazinha ao lado.
Ontem, fui ao Banco do Brasil. Eu nunca vou a banco nenhum. Mas ia comprar minhas doletas, então fui. Porta giratória. Pensei:
- Bom treinamento, já que a partir de domingo vou ter que lutar contra elas.
Entrei. Ela travou comigo lá dentro. Pensa num escândalo. O segurança estava perto, e eu:
- Moço, moço, me socorre, tô presa aqui!!!!!
- A senhora tem metal na bolsa? Celular, moeda, essas coisas?
- Tem de tudo, moço! Me tira daqui, por favor!
Ele queria rir, mas não podia. E tinha que examinar minha bolsa. Eu não sabia que tem um lugarzinho do lado para a gente deixar as coisas de metal e a porta não prender a gente.
Eu abri a bolsa na maior rapidez que minha super agilidade permitiu. Se ele tivesse mandado, acho que teria tirado a roupa na mesma velocidade.
Ele, enfim, começou a rir e me deixou entrar. Eu estava tão apavorada, tremendo, sem ar, que não sabia para que lado tinha que ir. O homem foi bonzinho. Me mostrou direitinho onde pegar a senha (estou cansada de saber, mas não conseguia raciocinar). Sentei ofegante, peguei o Nextel e chamei a Clarice:
- Acabei de ficar presa em uma porta giratória!!!!!!!!
Não sei por que cargas d'água ela começou a mangar de mim.
À noite, quando contei para o Sérgio (tentei ligar para ele também do Banco, mas não consegui), ele falou:
- E por que você não voltou?
E eu:
- Ué, a porta gira ao contrário?
Não sei por que cargas d'água continuaram a mangar de mim.
Ai, como sofro!
Mas agora fiquei mais esperta. As portas de NY que me aguardem. Conheço TODOS os segredos delas. Têm uma boazinha ao lado e giram ao contrário. E se tiver uma janelinha, a gente tem que colocar os metais lá. Aprendi tudo. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

MAIS MALA

Sou expert em arrumar mala. Pronto, falei. Sem falsa humildade. Quando quero, levo MUIIIITA coisa, mas, quando não quero, sei levar o necessário, sempre com alguma sobrinha para não passar aperto.
Penso que TODA mala tem que conter determinados ítens, não importa o lugar para onde se vá.
Logo de início, se vou a um casamento, ou a qualquer outro tipo de evento que exija um traje mais elegante, eu levo dois. Isso mesmo, dois vestidos de festa. Já costumava fazer isso, mas a coitada da Cristina me fez reforçar essa decisão. Fomos às bodas de ouro de nosso tios, em Belo Horizonte. Ela levou um vestido lindo, que tinha sido lavado na lavanderia e ela não tinha voltado a usar. Quando foi se vestir, o danado tinha encolhido!!!!!!! Ela foi para a festa de blusa. Joel passou o tempo todo escondendo as lindas pernas da esposa. KKK
Toda mala precisa ter uma roupa fina. Toda mesmo. Na maioria das minhas viagens ela volta sem usar, já que gosto mais de programas informais, mas, caso eu precise, ela está a postos. Uma boa calça preta, uma blusa bem chique, sapato de saltão. Essa eu aprendi com uma pessoa cujo nome só revelo se ela deixar. Fomos para Orlando. Disney = short, jeans, camiseta e tênis, certo? Errado. Fomos convidados para uma festa na casa de um conhecido que morava lá. A pessoa em questão não tinha levado nada adequado para vestir, e a única opção foi ir a um K-Mart que ficava perto do hotel para ver se encontrava alguma coisa mais arrumada para vestir. Achou uma calça que daria, uma blusa mais ou menos e voltou para o hotel. Sem ser tênis, tinha levado apenas uma botinha esportiva. Que não faria má figura aparecendo por baixo da calça. Só que... quando ela vestiu é que descobriu que a calça era PESCADOR!!!! A botinha aparecia inteira!!!!!! Eu não esqueço da coitada andando desanimada pelo corredor do hotel - não tinha solução! E a turma maRvada morrendo de rir. Bem, ela também riu. Aposto que, hoje, ela não faz mais isso.
Os cremes. Todos. A não ser quando viajo para os EUA, porque levo só um pequenininho pra uma emergência. Compro tudo lá. No primeiro dia, vou a um Wal-Mart ou semelhante e, como dizia minha vovó, faço um bom suprimento. Os do rosto, do cabelo, do corpo, das mãos, dos pés, os relaxantes para o banho da noite, etc, etc.
Um ítem importantíssimo: biquini. Qualquer que seja o destino. Se não tivesse levado meu biquini para a neve, não teria vivido uma experiência inesquecível, que contei em O Homem Fumaça.
Casaco. Passei umas férias em Ilhéus. Férias frustradas. Choveu o tempo todo. Senti TANTO frio!!!!!! Nunca tinha pensado em levar casaco para Ilhéus no verão. Mas, agora, onde vou, lá vai o casaco. E, ainda assim, nunca passei tanto frio quanto no verão de 2010 na Califórnia. É, acontece.
Touca de banho. Na hora em que a gente precisa de uma, nada substitui. Triste ir tomar banho com o cabelo todo bonitinho antes de sair para o teatro e acabar com o danadinho todo mal-ajambrado pela falta de uma touca de banho e seu companheiro inseparável, o secador.
Adaptador de tomada. Depois que inventaram essa tomada doida aqui no Brasil, então, nossos aparelhos não combinam com a tomada de lugar nenhum que eu conheça. Existem uns adaptadores universais que são o máximo. Servem para todo tipo de tomada. Pena que emprestei o meu para o Serginho e... ele não devolveu, claro! Mas tenho outros.
Roupa de baixo suficiente para não ter que lavar. Duas para cada dia. Essencial!
Uma mala, ou bolsa vazia, para encher com as besteiras que vamos comprar. Se não fizesse isso, eu teria sido obrigada a comprar mala até em João Pessoa. Voltei com milhões de redes, colchas e toalhas de mesa. IUHUUU
Meu computador. Não gosto de viajar sem ele. E ele não incomoda nada. Se eu não quiser usar, fica quietinho no canto do quarto. E se eu quiser, ele está pronto para mim!
Remédio para dor. A gente nunca sabe quando vai ter alguma dor chata incomodando. Felizmente, o meu costuma voltar com o mesmo número de comprimidos que foi, mas é melhor pecar pelo excesso, nesse caso.
Tênis. Sem comentários.
Livros, livros e livros. Bem, comprei um Kindle, e, agora, vão todos os livros na minha bolsa, sem pesar nada. Viva!!!!!!!!
Acho que são esses meus segredinhos (ou meu esquema) para arrumar minha mala.
Na minha viagem que começa amanhã, falta meu item essencial: o marido. Vou sentir uma falta DANADA dele. Afinal, quem vai carregar a mala com tudo isso que eu vou colocar dentro dela?
(Brincadeirinha - ele é, de verdade, meu melhor companheiro de viagem.)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

TURISTA, EU??????????????????

Vou falar mais sobre meu guru turístico, o Ricardo Freire, autor de Viaje na Viagem, o melhor livro que já li sobre o assunto (e olha que já li muitos).
Ele comenta sobre gente que viaja e, ao chegar ao destino, diz que não quer ser reconhecida como turista, quer se "misturar" com os locais. Helloooooo! Quem é que quer, de verdade, chegar ao Rio de Janeiro, acordar às 6:30 (DA MANHÃ!!!), pegar o carro, enfrentar o engarrafamento na Avenida Atlântica ou na Vieira Souto, de terno ou sapato alto, para ir trabalhar em algum escritório com ar condicionado? Eu quero é andar no calçadão, depois ir para a praia e sentar nas cadeiras que os caras trazem para mim, pedir uma barraca quando o sol ficar muito quente, tomar umas mil Cocas Zero (não gosto de cerveja). Depois, almoço em um restaurante perto da praia, hotel, banho, sonequinha, terminando o dia com um passeio delicioso em algum lugar interessante. Com certeza, a vida dos habitantes da cidade não é bem assim.
Então, turistas, vamos assumir nossa condição, com orgulho. Vamos levantar a bandeira em defesa dos desprezados turistas e suas câmeras fotográficas. Vamos nos deslumbrar diante do que merece deslumbramento. Vamos curtir tudo que as cidades têm e seus moradores jamais se lembram de curtir!
Eu afirmo que já saí do armário no quesito opção turística. Sou turista mesmo. Apaixonada, deslumbrada. Curto minha condição desde o momento em que começo a pensar na possibilidade da viagem.
Ricardo Freire, que é autoridade no assunto e não apenas mero mortal como eu, prova em seu livro o motivo pelo qual não podemos, jamais, pensar que estamos vivendo a "vida real" da cidade.
Pegue seu gasto em um dia em uma viagem: inclua diária de hotel, aluguel de carro ou despesa com outro meio de transporte, refeições, passeios, comprinhas e compronas, enfim, anote TUDO que gastar. Depois multiplique por 30. Seria esse o salário necessário para você viver um mês naquela cidade com as mordomias de que desfrutou no dia de turista. Nunca tive coragem de fazer isso. Aceito a palavra dele e os cálculos minuciosos que o Sérgio faz. Mas, na verdade, nunca fiquei sabendo quanto teria que ganhar para levar a vida que tenho quando viajo.
E ele faz um comentário imperdível, que repito, mas não sigo: se você examinar a vida financeira de todos os passageiros de um avião, pode ter certeza de que metade dos que estão na primeira classe deveriam estar na executiva. Setenta por cento dos que estão na executiva deveriam estar na econômica. E TODOS os da econômica deveriam ter ficado em casa.
Assim como disse ontem, vou ter que desobedecer o Ricardo Freire. Apesar dele dizer que eu devia ficar em casa,
NEW YORK QUE SE PREPARE, AÍ VOU EU!!!!!
(Perdão, querido guru turístico, mas vou mesmo.)
As "meninas" da viagem já estão em troca intensa de e-mails, todas animadas, porque sábado a gente decola. IUHUUUUUUU

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MALA

Sou capaz de arrumar uma mala para qualquer tipo de viagem em menos de meia hora.
Tenho meu esquema (se você acompanha meus blogs sabe que tenho esquema para praticamente tudo nesta vida). Separei uma gaveta com itens que só uso em viagem: carteira, secador de cabelo, necessaire, etc. Isso facilita muito minha vida. Adianta o serviço.
Tenho um guru quando se trata de viagem. É o Ricardo Freire. Ele escreveu um livro imperdível para quem gosta de viajar: Viaje da Viagem. Tem uma página no Facebook com o mesmo título, e um site também:  http://www.viajenaviagem.com/. Vale a pena tanto ler o livro quanto visitar o site e a página do Face, caso você também goste de viajar.
Mas preciso confessar ao Ricardo que desobedeci uma das instruções dele nesta semana.
O caso é que ele diz para a gente NUNCA comprar mala para uma viagem específica. Com muito humor, já que o estilo dele é delicioso, ele diz no livro que a gente, um dia, está passeando no shopping e, de repente, pensa: "Acho que vou comprar uma mala hoje". Ele explica. Quando você não tem uma viagem programada, fica mais fácil ser isento na hora de escolher a sem alça. Porque, aqui entre nós, existe coisa mais desconfortável do que mala?
Uma das gírias mais bem boladas é chamar uma pessoa de mala. Sem alça, então, é o cúmulo da perfeição.
Voltemos à minha desobediência. Viajo no sábado. Devo ter, aqui em casa, umas mil malas. De todos os tamanhos, tipos e cores. Não precisava de mala nova. Inclusive, tenho um esquema (acho que já citei isso antes): minha mala para viagens internacionais já fica com a bolsa desmontada dentro, AQUELA, que vai voltar cheia de comprinhas. Facilita muito.
Mas eu tinha um sonho de consumo. Não, não é Louis Vitton. Afinal, já provei que não sou chique em dois posts (Uma carona na van da Clarice, e Não-Chiquice). Bem, meu sonho de consumo era uma mala pink da Kipling. Como meu guru falou que eu não posso comprar mala com uma viagem programada e eu SEMPRE tenho uma, a mala ia ficando para depois.
Mas a Kipling leu meus pensamentos. Além de ter a mala da cor que eu queria, lançou agora o modelo e o tamanho certinhos para mim. Passei na porta (tenho um esquema, já falei nisso? - olhar a vitrine da Kipling é parte essencial de uma ida ao shopping). Vi a danadinha lá dentro da loja. Fui embora, com medo do Ricardo Freire.
Guru, não é culpa minha. Ela ficou me chamando. Gritou meu nome. Falou que ia ficar triste, abandonada ali na loja.
Eu tentei argumentar. O Sérgio não gosta de coisa de cor berrante. Ele não vai gostar dessa mala. Nunca vai usar. Mas ela fez tanto escândalo que eu voltei e entrei na loja. Erro gravíssimo. O macaquinho pink ficou rindo pra mim, dizendo que não viveria sem minha companhia.
O fato é que sucumbi. Ela me venceu. Está lá, esperando minhas roupinhas lindas para irmos para NY no sábado.
Mas em uma coisa eu vou obedecer meu guru, como tenho me esforçado para fazer em todas as viagens: levar pouca coisa. Afinal, à exceção de meus remédios, das lentes de contato e dos óculos, tudo mais pode ser comprado lá. É, inclusive a mala poderia ter sido. Mas, aí, eu não teria escrito este post. KKKKK

sábado, 20 de agosto de 2011

VAI PRA ONDE AGORA?

É uma pergunta recorrente. Tem sempre alguém me perguntando pra onde eu vou agora. Até parece que Brasília não passa de um entreposto, onde eu troco de mala. Concordo que viajo muito, mas a fama é maior do que a realidade. Dani, meu amigo, não a filha, nem o sobrinho, pergunta:
- Agora você vai passar um período aqui em Brasília?
Mas ele viaja tanto, ou mais do que eu. Implicância dele.
Hoje, no entanto, sou obrigada a responder que vou para New York.
Não é meu destino predileto. De todas as cidades que conheço, três brigam pela preferência: Rio, São Francisco e Paris. Fazendo uma análise mais detalhada, verifico que a ordem que eu escolhi para listar representa também a ordem de preferência, mas a diferença entre elas é mínima.
New York tem uma característica que não me agrada: em geral, as pessoas saem daqui com uma meta definida - fazer compras (fato que costuma se repetir com Miami).
Apesar de gostar muito de fazer compras, eu detesto "dia de compras", não gosto de outlets. Prefiro comprar uma coisa em um shopping bem bonito do que cinco em um outlet bagunçado. Como diz minha sábia tia Minó, sou uma pobre "suberba". Bem, dizer que sou pobre é um absurdo, mas dá para sentir o espírito da coisa.
Quando a gente vai a New York, sempre tem no grupo gente que pretende trazer a cidade inteira nas costas. O famoso "shop till you drop" (comprar até cair). Nada a ver comigo.
Outro dia, minha prima Ana me ligou, para saber como estava o Sérgio, para dizer que estava orando por nós. E me contou que ganhou de presente uma viagem, com um grupo de mulheres organizado pela minha cunhada Renata. Sei que no grupo tem muita gente que está alucinada para comprar, mas a Ana é como eu. Somos muito parecidas, tanto fisicamente quanto em quase todos os outros aspectos. Não posso imaginar companheira melhor do que ela para explorar os museus, livrarias e parques da Big Apple.
Além  disso, minha filha Flávia também vai com o grupo. Plano: assistir as quartas-de-final do US Open. UAU! Será que, enfim, vou visitar a cidade do jeito que quero? Sem Empire State, Top of the World, Estátua da Liberdade, nem outlet e shopping que ficam a quilômetros de distância?
Sérgio não vai. Isso é um ponto extremamente negativo na viagem, porque ele é meu melhor companheiro de aventuras. Mas tem uma vantagem: vou assistir Mamma Mia, que ele se recusou terminantemente a ver na última viagem à Big Apple.
Grandes planos. Será que se tornarão realidade? Nunca sabemos o que o futuro nos reserva, mas parece que vou mesmo.
Apesar das boas perspectivas, uma coisa me chateia: Dani (minha filha, não o amigo, nem o sobrinho) não pode ir. Eu queria ir com as duas filhas. E meu melhor companheiro de viagem também não vai. Mas eu vou fazer o possível para me divertir ao máximo. Não vai ser difícil.
Prefiro assim, mas....

domingo, 7 de agosto de 2011

UM BOM COMEÇO

Meu blog Escritos (http://rabiscosdaclaudia.blogspot.com) tem me servido para registrar todo tipo de assunto. Mas, há algum tempo, eu tinha vontade de fazer o que estou fazendo agora: ter um exclusivo para servir como um tipo de diário de viagem.
Eu tenho o costume de escrever nossas experiências "Neste Mundo de Meu Deus". Tenho um caderno de capa cheia de coraçõeszinhos que é uma gracinha, e lá anotei muitas coisas sobre nossas andanças, começando com a primeira viagem à Califórnia e Flórida, em dezembro de 1988. Muitas coisas divertidas, é gostoso pegar e reler. Tenho vontade de transformar o que escrevi em 88 em um livro. É um sonho, quem sabe.
Eu tenho paixão por viagens. Felizmente, o Sérgio também. Mas, ao contrário de muitas pessoas que conheço, nós dois somos capazes de curtir intensamente 20 dias pela França e também aproveitar muito um final de semana em Pirenópolis. Vamos de um hotel 5 estrelas e um meia boca com extrema facilidade. Claro que preferimos o 5 estrelas, mas nos divertimos a valer em Campina Grande, em um hotel cuja metade da porta já havia sido consumida pela umidade e eu só tive coragem de encostar no travesseiro depois de forrá-lo com minha canga. Custamos para dormir, porque não conseguíamos parar de rir, inclusive porque tínhamos acabado de chegar de Quebec, onde nos hospedamos em um dos hotéis mais charmosos em que já fiquei. Sei lá, apesar do nojo que senti no hotel na Paraíba, eu me lembro daquela noite com alegria, porque não precisamos de nada para ficarmos felizes, só um do outro. E de bom humor.
Bem, no fim de semana passado, fomos a Pirenópolis. Dona Marlene organizou a viagem, nos convidou.. Flávia e Daniela roeram a corda na última hora, ficaram em casa. A turma era interessante: Dona Marlene, Marta, Hélio e Dico (tios do Sérgio) e Regina e Dal (esposas deles). Nos hospedamos na Pousada Vila das Pedras, muito agradável.
Pensa num fim de semana divertido. A perspectiva não era muito boa. Sérgio com o diagnóstico do câncer, eu muito preocupada também com as feridas na boca do meu pai. Ainda assim, fomos conversando tranquilos, fizemos a costumeira parada no Jerivá, chegamos a Piri no fim da tarde.
Sentamos para bater papo. Eu estava incomodada por Dona Marlene e Marta ainda não saberem da doença do Sérgio. Parecia que eu estava escondendo alguma coisa. Eu prefiro falar tudo logo.
Mas a gente sentou e começou a bater papo. E começamos a rir das histórias de família. E minha mente foi ficando mais leve. Jantamos, uma comida muito gostosa - pedi camarão no abacaxi, e estava uma dilícia. Eu e Dico tomamos uma taça de vinho. A conversa se estendeu bem mais do que a refeição, como acontece nos grupos divertidos.
Ouvi muitas histórias que não conhecia. Eu nunca tinha passado dias com os tios do Sérgio, e foi uma delícia conhecer mais de perto os quatro.
Na manhã do sábado, fomos para a cidade. Pirenópolis tem muitas lojas de artesanato bem bonito. Como não podia deixar de ser, comprei um presépio. Gostaria de ser capaz de lembrar de todos os lugares em que já comprei presépios, mas é impossível. Sei que há lugares tão diferentes quanto Teresópolis e Innsbruck. O de Piri é de barro, sem pintura. Maria, José, Jesus, duas ovelhas e um pastor. Nada tradicional. Lindo.
Comprei blusa, vestido. Sem nenhuma necessidade, mas foi divertido. Regina também se empolgou. Ah, comprei um anel de pedra que sumiu.
Deixamos os carros ao lado da igreja e descemos a rua, entrando em todas as lojinhas que nos interessaram, até chegarmos à beira do rio, onde tinha um monte de gente nadando, pulando das pedras. Atravessamos a ponte, que é de madeira e... BALANÇA! Fui o mais rápido possível, mas tinha muita gente na minha frente, e tive que suportar o medinho. E Sérgio ainda ficava implicando:
- Se cair agora, não tem problema, cai no rio, dá pra nadar. Agora, só quebra uma perna. Agora, nem vai machucar mais.
Me chama a atenção, em cidades como Pirenópolis e Tiradentes, a beleza e variedade do artesanato! Quanta coisa bonita a gente encontra... Também, a comida gostosa. Almoçamos no restaurante Das Flor. Daquele tipo que tem um cardápio pronto e eles vão trazendo a comida para a mesa e trazendo mais, e trazendo mais, até a gente estar quase estourando. Tudo muito saboroso, apesar de ter um defeito que me incomoda: tudo cheio de cheiro verde. Não entendo como os restaurantes não aprendem a colocar o cheiro verde separado. Quem quiser que misture no prato. E quem não gosta, como eu e Sérgio, não precisaria ficar catando. Acabamos deixando de comer muita coisa por causa do infelizes dos verdinhos.
Das Flor foi um sucesso. Nem conseguimos jantar. Eles comeram sopa, eu, nem isso.
Como gosto, a tarde de sábado foi dedicada a dormir. Bem, assisti o sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa. A pousada deixa muito a desejar quanto às opções na televisão para uma pessoa como eu, que não gosta de ver novela. E eu estava bem feliz, assistindo SportTV quando desapareceu tudo e surgiu um filme pavorível de um homem todo cortado, amarrado em uma mesa. Desliguei assim que consegui me recuperar do susto.
Domingo era aniversário do Dico. Oramos por ele, agradecendo a Deus pela recuperação dele depois da cirurgia no coração no início do ano. Regina levou um tombo que, infelizmente eu não vi. Perdi essa parte.
O maior sucesso do fim de semana foi o maracujá. Dico falou que ia se servir de suco da supracitada fruta e perguntou a uma mulher se estava bom. Ela respondeu:
- Se estiver como você, estará bom. (Não sei se foram essas as palavras exatas, mas o sentido é esse.)
Contou para a gente, todo feliz. Hélio interpretou imediatamente que o que a mulher quis dizer é que o Dico estava como um bom maracujá de gaveta, todo enrugadinho. Pronto, Dico virou o maracujá.
Acho que é isso que me agrada tanto nas viagens. Acontecem coisas bobas, pequenas, que nos distraem, nos ajudam a esquecer o que nos incomoda a cada dia. No fim das contas, a gente volta para casa com novo vigor, com as forças renovadas. Mesmo que a viagem tenha sido apenas até Piri.